Por um lado são antenados com as novidades e mais centrados, por outro, são menos comprometidos com a vida profissional
Rita Palladino/Press e Mídia
Chama-se Geração Y às pessoas nascidas após 1980, que se desenvolveram em uma época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica. Seus pais, temendo repetir o descaso das gerações anteriores, não negaram nada a essas crianças, que cresceram tendo seus pedidos atendidos e que faziam uma ampla gama de atividades.
“Se por um lado isso deu à geração Y maior mobilidade e flexibilidade com relação à adaptação fácil a novas tecnologias e situações de trabalho, por outro criou em muitos deles uma falta de comprometimento nas relações de trabalho que chegam a beirar a negligência”, diz Giordano Bruno Inoccenti, gerente de RH da Erwin Diesel.
Ele ainda prossegue falando que essa geração troca de profissão mais depressa do que troca de roupa, e que, para eles o importante é trabalhar para viver e não viver para trabalhar. “É claro que é necessário haver uma dosagem nessa postura, porque isso tem frustrado os empregadores, que têm de lutar e recrutar novos talentos”, continua ele, afirmando que, no entanto, o maior problema da Geração Y é que ela responde muito menos aos comandos e controles tradicionais de gerenciamento e que, por estarem acostumados a conseguir o que querem, não se sujeitam às atividades subalternas de início de carreira.
Outros apontam para os anseios da geração Y, que são muito diversos dos boomers (pessoas nascidas após a Segunda Guerra Mundial), como a gerente executiva de novos produtos Diana Saldanha: “Enquanto os boomers priorizaram carreira em relação à família, os Y querem que o trabalho seja flexível, querem ter opções de trabalho em casa ou serviço de meio período, ou ainda querem poder deixar a força de trabalho temporariamente enquanto as crianças estão na prioridade”.
A executiva, que realizou uma pesquisa recentemente sobre os hábitos de vida e consumo da geração Y ainda aponta que essas pessoas não esperam permanecer no emprego ou na carreira. “Eles viram grandes corporações serem detonadas por escândalos e têm dúvidas se devem mesmo alguma lealdade aos empregadores. E tem mais, eles não gostam de ficar muito tempo em qualquer compromisso, fazem coisas ao mesmo tempo como navegar na internet, falar ao celular e entrar em uma conversa online”, diz ela.
Essas atitudes têm criado um novo tipo de conflito de gerações. Uma pesquisa realizada pela Ateliê Pesquisa Organizacional mostrou o que os líderes de empresas (com idades entre 45 e 60 anos) pensam da tal geração Y. Para eles, os problemas que essa geração tem a trabalhar são: falta de compromisso (98% dos entrevistados); organização (83%): agressividade maior que gerações anteriores (74%). Mas a pesquisa também aponta alguns prós, como a habilidade com novas tecnologias (89%); aspiração em ganhar muito dinheiro (79%) e disposição de aprender (75%).
“Entretanto, se a geração Y conseguir trabalhar seus pontos desfavoráveis, criando elos mais fortes com suas carreiras, sem descuidar de suas vidas pessoais, porque isso também não é mais aceitável, essa será uma geração imbatível no mundo corporativo, conclui Diana Saldanha.
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